Carta do dia 29 de novembro de 2013

5 O Hierofante

V – O Hierofante

Seja seu próprio mestre!

Deus. O que é Deus? Onde está Deus? Durante séculos as religiões traçaram a imagem de um Deus poderoso, onipresente, onisciente e, muitas vezes, impiedoso. Esse Deus estava no céu, em um lugar absoluto, num patamar muito mais elevado do que qualquer outro ser vivente. Um Deus pronto para castigar quem não cumprisse as regras e dogmas estabelecidos, em seu nome, pelos sacerdotes das igrejas. 

A criação desse Deus tirava de nós qualquer divindade, nos brutalizou, determinou que nascemos em pecado e decretou que as religiões representavam o único caminho para nossa redenção. Para fortalecer esse Deus, criou-se o diabo e o medo da demonização. 

A história da humanidade é repleta de eventos em que as igrejas interferem na ordem dos Estados, unindo ou disputando forças. Se na Idade Média muitas pessoas foram condenadas pela chamada “justiça divina”, com o Iluminismo a racionalidade é enaltecida e o ateísmo ganha força. Hoje vemos, de um lado, a proliferação de novas igrejas com milhares de seguidores, de outro lado, um grande número de descrentes e ateus que afirmam que a criação de Deus é resultado de  fanatismo e forma de manipulação dos povos, negando assim sua própria espiritualidade.

Seja qual for a ideia de Deus que você tenha, acima de tudo creia no seu Deus interno. No mestre, professor, xamã – ou qualquer outro nome – que reside dentro de si mesmo. É a partir dessa iluminação interior que acessamos nossa própria divindade e, com ela, podemos seguir nossa trilha que transcende a matéria, que dá sentido à nossa vida.

Ninguém é capaz de nos ensinar a verdade, a verdade está dentro de nós. Nenhum mestre deve nos dizer o que fazer, deve nos orientar, nos estimular a encontrar nosso caminho espiritual, nosso caminho de autoconhecimento, nosso caminho de iluminação.

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117

Carta do dia 28 de novembro de 2013

8 de Paus

8 de Paus

Toda energia contida há de explodir!

No decorrer da vida aprendemos a ser educados, a não dizer tudo que pensamos, a sermos cordatos, a respeitar os outros, a não se colocar em primeiro lugar, e tantas e tantas outras coisas que nos tornassem socialmente agradáveis. Isso é errado? Não fazemos, fizemos ou faremos isso com nossos filhos? Não reclamamos de pessoas que não respeitam o espaço alheio? Não dizemos que as pessoas não têm a menor noção de cidadania? Então, o que pode estar errado?

O problema disso está, em primeiro lugar, no fato de priorizarmos o outro em vez de nós mesmos e, com isso, esse outro passa a ser a referência do que somos: se o outro achar bacana o que fazemos, então somos bacanas; se o outro nos acha feios, então somos feios. E tudo que fizermos e como fizermos estará validado pelo outro, não por nós mesmos.

A partir do momento que ficamos reféns do outro, perdemos a conexão com nosso ser. Deixamos de falar o que pensamos, não porque consideramos que não vai trazer bem algum, mas porque NÃO podemos falar o que pensamos. Não usamos nossos potenciais, nossa capacidade intuitiva, racional, criativa, emocional para decidirmos onde vamos, o que fazemos, o que falamos, o que amamos, o que desprezamos, não! Atuamos de acordo com aquilo que é esperado de nós socialmente.

Você pode dizer que você não é assim e acho que não é mesmo! Nem todo mundo, a todo momento, está fazendo apenas o que se espera dele. Temos nossa identidade, há coisas que acreditamos e defendemos com unhas e dentes. A questão está naquilo que não percebemos que fazemos, que tocamos no piloto automático da nossa educação e aprendizagem social. E, quando reagimos, de maneira explosiva, ficamos mal, nos sentimos péssimos, nos desconhecemos, odiamos nossa falta de controle. E, nessa autocondenação, deixamos de entender e compreender o que nos levou a isso.

Observe os sapos que você engole, identifique o porquê faz isso, perceba a energia e a emoção que você está reprimindo. Cuide disso, permita que elas fluam, porque se não, mais cedo ou mais tarde, esses sapos sairão de sua boca de maneira incontrolável e explosiva!

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117

Carta do dia 26 de novembro de 2013

10 de Paus

10 de Paus

Você se sente oprimido? 

Li uma frase do Malcom X que parece muito oportuna: “Se você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.” Sempre tentei perceber o interesse da mídia quando elogiam ou criticam alguém ou algum fato. Mas, o tema aqui não é a mídia, é a opressão. Durante a história da humanidade a opressão sempre esteve presente nos mais diversos formatos: social, sexual, política, econômica, racial, religiosa. A vida em uma sociedade injusta e desigual é permeada de opressões e, por mais corretos que sejamos, acabamos por exercer ora o papel de opressor, ora o papel de oprimido.

A opressão pode vir tanto de uma ação violenta, como o abuso de autoridade, ou do sentir-se esmagado, sufocado pelo peso das responsabilidades. Somos opressores de nossos filhos e crianças em geral – mesmo que imbuídos das mais nobres intenções – e somos oprimidos por um chefe, pelas dificuldades financeiras, pelas obrigações. Temos que estar muito alertas para não compensarmos  nos outros essa opressão que sentimos, oprimindo-os também, sob a forma de autoritarismo, racismo, abuso de poder, entre tantos outros.

Assim como a opressão faz parte da nossa vida social, tendemos a nos conformar com ela também em nossa vida pessoal, como se ela fosse um parente indesejado, mas real. E assim, vamos nos auto-oprimindo, invalidando nossas vontades, aliás, vontade não pode vir em primeiro plano, antes de tudo deve haver responsabilidade! E nos convencemos com frases do tipo: você sonhou e correu atrás dessa carreira, agora não vai desistir! Você quis comprar essas coisas, agora encare as prestações! Você não estava apaixonado por essa pessoa, agora assuma a responsabilidade! Aprendemos e validamos esse papel de RESPONSÁVEL,  abandonamos os sonhos, acatamos muitas obrigações, gastamos tanta energia nisso que acabamos concluindo que somos necessários e importantes, quase insubstituíveis, e assim, acreditamos que somos amados e imprescindíveis.

Gastamos energia, saúde, tempo atendendo a essas demandas, respondendo às expectativas, fazendo o que é nosso”dever”. Gastamos a vida… Será que é para isso que estamos aqui?

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117

 

Carta do dia 25 de novembro de 2013

6 de Paus

 

6 de Paus

Ama seu trabalho ou trabalha no que ama?

Umas das principais buscas de cada indivíduo é a realização e, dentre as várias fontes de realização, destaca-se a realização profissional.

Gastamos muita da nossa energia e de nosso tempo no trabalho, mas com que objetivo? Alguns podem responder que é pela necessidade de sobrevivência e como questionar isso? Claro que o trabalho é nossa fonte de renda para nosso sustento e daqueles que dependem de nós, mas não nos submetemos a qualquer tipo de trabalho. O tráfico de drogas, exploração sexual, contrabando são atividades muito rentáveis, mas vão contra nossos valores morais, éticos, culturais e espirituais. Somos capazes de executar atividades que nada têm a ver com o que somos e com o que gostamos. Respeitamos os valores sociais e morais, mas nem sempre respeitamos nossos atributos e desejos, nossas aptidões e vontades. Gastamos nossa energia em algo que não traz satisfação, muito menos realização e justificamos que é pelo aspecto financeiro!

Engana-se quem acredita que isso acontece apenas com quem tem atividade de menor qualificação, há muita gente que passou anos estudando, que tem posição de destaque em sua atividade, que galgou vários degraus no status profissional e não se sente realizada. Mas, acha que é tarde, acha que é difícil começar algo novo, a estrutura material que construiu precisa de recursos que não vai conseguir manter começando do zero.

Nos acostumamos a justificar nossa insatisfação profissional, temos respostas prontas para explicar porque fazemos o que não gostamos e tentamos compensar nossa falta de satisfação em outras atividades. E eu pergunto, tirando as horas em que estamos dormindo, a maior parte de nossos dias estamos trabalhando, como compensar? E outros responderão que é só deixar o barco rolar, tirando uma satisfação aqui, outra ali. Afinal, a vida é assim e trabalho não é prazer! Será?

Não temos prazer o tempo todo, se não é assim na vida, também não é no trabalho. Mas,trabalhar apenas por obrigação com total falta de prazer também não é saudável. Toda nossa energia empregada nas atividades profissionais devem fluir e expandir. Pode ser que não seja a melhor atividade, talvez sejam necessárias modificações, às vezes as principais mudanças são feitas dentro de nós mesmos: na forma de perceber a atividade, observando se o ritmo do trabalho está adequado, se não existe mais expectativa de resultados do que se pode obter. O importante não é o resultado em si, mas todo o processo, cada etapa deve ser o mais prazerosa possível.

Nem sempre é necessário revolucionar a vida para ter realização e reconhecimento profissional, eles podem ser frutos do respeito ao próprio ritmo, criatividade e energia. Olhe para sua atividade, faça as modificações necessárias e possibilite que seus dias sejam mais prazerosos e de vitórias, mesmo que pequenas.

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117

Carta do dia 22 de Novembro de 2013

7 de Copas

7 de Copas

Prazer não é compensação!

Há uns dias, li no Facebook um post sobre a saudade e que a melhor forma de lidar com ela é se distraindo: ir ao cinema, encontrar com amigos, ver televisão. Poderíamos ampliar com: jogar algo no computador ou celular, beber alguma coisa, comer, consumir drogas… Na visão do autor, a saudade é algo que nunca irá embora e que, por isso mesmo, provoca dor.

Logo que li esse post, fiquei incomodada: então a solução dos nossos problemas está na distração! Temos que nos distrair para não sentir as angústias, as tristezas, as ansiedades, os medos. E o que acontece quando a distração acaba?

A distração, nesse contexto, transforma-se em ilusão, porque ao se distrair você cria a ilusão de que o problema não existe, de que está livre dele. Mas, dura pouco e cada vez é preciso de mais uma dose de distração e essa busca pela distração vai se transformando em um vício. Todas as nossas atividades repetitivas e desenfreadas têm como objetivo nos tirar de nós, nos libertar daquilo que nos oprime internamente. Quantas pessoas deixam de dormir jogando ou assistindo televisão até altas horas. Quantas pessoas veem a comida, a bebida, as drogas fontes de prazer, do prazer que não conseguem ter.

Nessa tentativa de procurar e manter prazer de forma artificial, nos distanciamos ainda mais de nossa essência e, sem conhecê-la e entendê-la, não promovemos as mudanças internas, não compreendemos a fonte dos nossos sofrimentos.

Voltando ao post do Facebook,  me pergunto o que é a saudade a não ser a nossa dor pela ausência do outro? E por que sofremos essa ausência? Com certeza, não vamos deixar de sofrer nos distraindo, só deixaremos de sofrer se desapegarmos. Exercitar o desapego é uma das principais formas de reduzir nossos sofrimentos, afinal nada é permanente, tudo está em contínuo processo de mudança.

Que sejamos capazes de ter prazer e desfrutar o prazer pelo que ele é e não para servir de compensação da falta de alegria e contentamento em outros setores da vida, não para cobrir o buraco que porventura possuímos dentro de nós. Se assim for, será um processo de autodestruição.

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117