Carta do dia 10 de dezembro de 2013

5 de Paus

5 de Paus

A competição só ocorre se alguém quer ganhar!

Você já reparou como tem tanta gente que se sente incomodada com os outros? O pior é que dizem que os outros é que se incomodam com elas. Falam, por exemplo, que “fulano adora dizer que fez coisas maravilhosas, só porque eu contei sobre aquela viagem divina!” São pessoas que parecem estar em constante competição. Quando alguém lhes narra alguma coisa que lhes aconteceu, tem que contar outra para ficar à altura. “Seu marido te deu flores no seu aniversário? O meu me dá flores todos os dias! Seu filho passou no vestibular? O meu entrou nas faculdades mais difíceis!” E segue assim até nas coisas ruins: você está com dor de cabeça, ahhh tenho enxaquecas sempre!” Não pode ficar por baixo, nem naquilo que não é bom!

Tanta competitividade é sinal de baixa autoestima e insegurança. A nossa vida é feita por aquilo que somos e que damos conta de fazer em cada momento, a vida dos outros é resultado do que eles são, não dá para comparar! Quem é melhor, mais bonito, mais bem-sucedido, mais, mais, mais? Qual a importância disso para a vida?

Estamos imersos em uma sociedade que estimula a competição e a comparação. Os programas de televisão estão recheados de exemplos: há competição de cozinheiros mirins, de cantores e dançarinos amadores, de melhor música, melhor comida, melhor decoração, concursos de beleza, maquiagem, moda… Se bobear, tirando filme, novela e seriado, os programas são todos dessa linha. Há também o esporte, que é todo baseado na competição, com seus torcedores. Todos ficam chocados com as brigas entre as torcidas de futebol, mas pouco se questiona sobre a competição e os milhões que ela gera.

Estamos tão embrenhados nessa cultura competitiva que perdemos a crítica, aceitamos e reproduzimos essa competição, em maior ou menor grau. Competimos com os amigos e inimigos, competimos no mercado de trabalho, competimos no trânsito, competimos tanto que nem sabemos qual é a batalha que realmente vale a pena. Às vezes, gastamos tanta energia em competição sem fundamento, que deixamos de lutar pelo que realmente importa.

Deixemos de lado essa competição mesquinha e comecemos a lutar pelo justo, pela igualdade, por aquilo que representa nosso sentido de vida!

Magda Kumara

T. (11) 9.8506.3117

Carta do dia 9 de dezembro de 2013

5 de Espadas

5 de Espadas

Muitos alicerces e estruturas não impedem a queda, aumentam o tombo!

Construímos um mundo perfeito em nossas cabeças e buscamos na vida a validação dessa perfeição. Explicando melhor: definimos nossa moral, nossa ética, nossos valores como os melhores e mais corretos, e nos autodefinimos a partir deles. Somos, portanto, corretos, honestos, éticos e tudo o que há de melhor. (Não há nada de mal ter boa autoestima, o problema está em saber se isso é realmente autoestima ou se é uma busca pela perfeição e, consequentemente, pela aceitação.) O problema está no fato de que isso acontece em nossa mente, é uma concepção, não necessariamente uma realidade. Quando entramos em contato com o mundo e verificamos que a moral, a ética e os valores dos outros são diferentes, às vezes, muito diferentes dos nossos, tendemos a classificar e a julgar essas pessoas. Podemos ser muito críticos ao seu comportamento, sua estética, seu gosto, seu jeito, buscamos todas as diferenças para não nos identificarmos em nada com elas.

Esse olhar severo e crítico sobre os outros é, primeiramente, uma reação à “imperfeição”. A perfeição reside em nós, o diferente é imperfeito. Condenamos essa imperfeição, afinal, por que as pessoas não se esforçam para ser melhores, se eu estou fazendo o meu melhor o tempo todo? Tento fazer sempre o que é certo, como tem gente que faz o que bem entende? Não aceitamos a espontaneidade dos outros porque reprimimos a nossa. O pior é que esses “outros” não são punidos por fazerem errado e, mais, são muitas vezes elogiados! Daí é um passo para a fofoca, a inveja, a intriga e sofrimento. O fofoqueiro e o invejoso são mais sofredores do que seu alvo porque é o sofrimento que os faz agir de maneira maldosa. O sofrimento começa na mente.

Esse é outro aspecto dessa crítica, ainda mais perversa, a autocrítica. Se é crítico com o outro, é mais crítico consigo mesmo. Se a perfeição é a meta para o externo, é para o interno também. Autoexigência, rigidez, severidade consigo próprio! Mas, o que acontece quando não recebe os aplausos por tanto sacrifício? Ciúmes, vingança, manipulação, depressão. Se o mundo externo não consegue identificar como “eu” sou correto, honesto, justo tenho dois caminhos, o primeiro é considerar que o mundo está realmente muito mal, não sabe valorizar o que é certo, “por isso que tudo está desse jeito”. Sai na rua e critica tudo o que vê, todos fazem coisas erradas, o mundo está errado. Pode parecer o caminho mais fácil – afinal, não admite haver algo de errado consigo mesmo – mas é o de maior sofrimento a longo prazo. O segundo caminho, mais doloroso inicialmente, é começar a perceber que essas certezas e “virtudes” internas são alicerces frágeis, são estruturas mentais que criamos para nos dar segurança e evitar sofrimentos. Reconhecer que nos escondemos atrás delas para proteger uma parte de nós que desconhecemos, que é insegura, que é espontânea, é o início de um processo libertador.

Quanto mais força fizermos para validar nossas concepções sobre o mundo, quanto mais tentamos estruturar nossa mente, quanto mais buscamos externamente a validação dos nossos atos, mais nos distanciamos daquilo que realmente é importante: nossa essência!

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

 

Carta do dia 07 de dezembro de 2013

8 de Ouros

8 de Ouros

Desde os primeiros anos de vida somos bombardeados com a pergunta: o que você quer ser quando crescer? Algumas crianças são capazes de dar respostas super espontâneas e divertidas, mas por trás disso fica a mensagem residual: preciso saber o que eu quero fazer! Crescemos e esse questionamento nos acompanha. Sempre há aquela minoria que identifica o que gosta e segue na trilha. Para muitos, não há chance de grandes escolhas, a necessidade de recursos faz o cerco e é preciso trabalhar, ganhar dinheiro, seja onde for. Para aqueles mais afortunados, a escolha da profissão vem com o fim do ensino médio: que faculdade vou fazer? E para responder sempre aparece alguém para dizer que o mercado está mais aquecido nessa ou naquela área, ou para escolher a faculdade com vestibular menos concorrido (se não, vai ser difícil passar!), ou para dizer que “eu acho que isso é a sua cara!”. É tanta informação e expectativa que não facilita a escolha, mas ela é feita. Sobre qual base?

Esse processo pode acontecer também em outros aspectos na vida: nos relacionamentos afetivos, no sexo, na criatividade. Podemos ser tão permeáveis ao nosso meio, às crenças, aos preceitos sociais, aos nossos pais e família em geral, que ficamos contaminados sem saber qual é nossa verdade. Mas, com o tempo, o questionamento aumenta; aquela verdade parece ganhar forma e força, novas ideias brotam e começam a se desenvolver. As antigas atividades parecem pouco a pouco mais difíceis de tocar, a maneira habitual de viver parece perder o sentido, a vontade de mudar nossas vidas grita dentro de nós!

Em maior ou menor grau, todas as pessoas que assumiram uma trajetória descolada com sua verdade interior, em algum momento passam por esse processo de questionamento e de necessidade de dar novo rumo na vida. Mas, o apego às condições financeiras que agora possui, à carreira, à imagem criada no meio são, entre outras tantas coisas, obstáculos para a mudança. Acredita-se que está velho, que começar é coisa de jovens, que já passou o tempo, que tem muitas responsabilidades, que tem muita gente que depende dele, que isso é loucura, que a vida é feita de obrigações… e são tantas e tantas desculpas, tantas e tantas justificativas para nada mudar. Medo, medo de tentar, medo da frustração, medo da derrota. Pense nas pessoas que você conhece e quantas delas fazem realmente o que gostam? Quantas delas dizem que “se” alguma coisa em suas vidas tivesse sido diferente hoje seriam mais felizes? Quantas responsabilizam outras pessoas por sua situação atual? Quantas delas são cantores frustrados, atores frustrados, artistas frustrados, escritores frustrados? E quantas efetivamente tentaram fazer o que queriam? Para essas pessoas, é mais fácil responsabilizar o outro e o mundo pelas suas frustrações do que correr atrás dos seus sonhos e constatar que não é tão bom nisso quanto pensava. Essas frustrações tornam-se uma rede de proteção contra o risco de perder o sonho e o medo de não ter o que colocar no lugar. Cega-se e adapta-se a uma vida mais ou menos.

O que temos a perder? Pense honestamente nisso, o que temos a perder quando corremos atrás dos nossos sonhos? Podemos cair, sim, mas sabemos levantar! Podemos nos decepcionar, mas descobrimos que esse sonho era ilusão! Faremos nossa família sofrer? Claro que não! Aqueles que nos amam, nos querem felizes e para os pequenos será um exemplo prático de como conduzir a vida! 

Cuide, proteja e deixe vir à luz esse broto! Permita-o desabrochar! A vida é feita de recomeços!

Magda Kumara

T. (11) 9-85063117

 

Carta do dia 06 de dezembro de 2013

5 de Copas

5 de Copas

“A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.” (Drummond)

O fim de um relacionamento, a não ascensão profissional, as crises familiares, as dificuldades escolares mexem mais com nossa autoestima do que normalmente admitimos. Sentimo-nos fracassados, derrotados, no fundo do poço. Esse sofrimento pode se transformar em mágoa, em raiva, em desespero, em depressão. Alguns, sentem-se traídos, enganados, desvalorizados, assumem o lugar de vítimas dos acontecimentos, o “mundo” é perverso e mau. Outros, assumem o papel do carrasco, consideram que não são bons, questionam suas capacidades e competências, negam seu potencial afetivo.

Queremos sempre ser heróis, mas quando somos, de alguma maneira, “derrotados” oscilamos nesses papéis. Seja como vítima ou como carrasco, há sempre uma reação negativa aos eventos vividos, há um olhar pessimista, submerge-se na escuridão, sobrepõe-se o lado sombrio, perde-se a fé.

Nesse estado emocional em que predomina o pensamento: “já que tudo está perdido, não vou ligar para mais nada”, aumenta a agressividade, a possessividade, o ciúme, a inveja, ou ainda, a apatia, o desprezo, o desamor, a arrogância. Quanto mais imersos ficamos nesse estado, mais alimentamos as emoções negativas e nocivas.

Por que isso? Por que não podemos aprender com esses eventos não felizes de nossa vida? Por que não podemos olhar para eles como grandes mestres de nossa trajetória? Por mais sofrido que seja o fim de um relacionamento, ele deu certo enquanto durou, ele permitiu o compartilhamento do afeto, da história e da convivência. Se ele te pegou de surpresa, talvez você não quisesse perceber que os sinais de desgaste, talvez preferiu não olhar para a verdade.

Se tem fracassado profissionalmente talvez seja  o momento de analisar com honestidade se é isso que deseja fazer. Será que esse caminho profissional é realmente seu? Será que suas aptidões não estão em outra atividade?

Nenhuma dor, seja física, seja emocional, é confortável e prazerosa, mas não precisamos perpetuá-la. Temos a opção de nos reerguer, de nos reaproximar com nosso ser verdadeiro, abandonar a vaidade e o orgulho, e seguir em direção a nossa própria luz, porque esta nunca deixa de brilhar.

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

Carta do dia 05 de Dezembro de 2013

Ás de Ouros

Ás de Ouros

“Vivemos num mundo materialista!” O que há de errado nesta frase? Afinal, o mundo em que vivemos é matéria, nosso corpo – ao menos neste plano – é matéria, a natureza é matéria. Portanto, é verdade que vivemos em um mundo materialista.

A problema está em olhar a vida apenas dessa forma, sob a ótica da matéria, e fazer de tudo para saciar as necessidades materiais; a invenção de necessidades materiais, o abuso e exploração para se alcançar uma vida material mais satisfatória. E, o pior, acreditar que a vida seja apenas o que a matéria pode prover.

Contudo, essa aversão pelo apelo materialista gera, muitas vezes, uma negação da matéria e tudo o que diz respeito a ela. O dinheiro passa a ser sujo, o conforto representa falta de espiritualidade, o cuidado com o corpo torna-se vaidade. Precisamos ter cuidado! A espiritualidade é fundamental, mas sem a fisicalidade não existimos, não neste mundo.

Além disso, nosso corpo é perfeito, a natureza é perfeita! E um e outro são tão similares e tão maravilhosos! Ah, a vida é realmente uma dádiva! Poder estar aqui e agora, receber este corpo, receber o dom da vida é um presente de nossos pais, ancestrais, de Deus, do cosmos ou seja de quem for. Estamos aqui, agora, na vida; respirando, sentindo, com nossos órgãos em pleno funcionamento e isso é prá lá de belo e divino.

Mas, esse corpo tem necessidades. Precisa de alimentos, precisa de água, precisa de higienização, precisa de aquecimento, precisa de tantos tipos de cuidados. Esse corpo repleto de sensualidade e erotismo precisa também do prazer, precisa de carinho, precisa de toque, de acolhimento, de afago. Esse corpo precisa de abrigo, precisa de descanso, precisa de exercício. Se esse corpo precisa de tanta coisa, não podemos negar a materialidade. E para poder oferecer tudo isso ao corpo, para sua sobrevivência, precisamos de recursos e, por isso, trabalhamos. Então, trabalhemos naquilo que, não só possa trazer esses recursos, mas que também possam gerar satisfação e realização.

Não podemos desperdiçar, maltratar, renegar aquilo que dá o contorno do que somos. Olhemos para os aspectos materiais (corpo, finanças, trabalho) e busquemos torná-los mais e mais  integrados de nossa vida de maneira harmoniosa, sem cobiça ou avidez, mas também sem aversão e nem como obrigações e imposições sociais. Afinal,eles fazem parte da maravilha de estarmos vivos!

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117