Carta do dia 8 de janeiro de 2014

18- A Lua

XVIII – A Lua

O Autoconhecimento é o caminho da verdade e do fim do sofrimento!

Você se conhece de verdade ou ainda vive em constante conflito consigo mesmo? Entende os fatores que te desequilibram e busca manter-se firme ou se entristece e se enraivece toda vez que sai do equilíbrio, se autopunindo por não conseguir mantê-lo?

A iluminação e o completo extermínio do sofrer são nossos maiores objetivos dessa existência. Não estamos prontos e acabados, por isso temos que trabalhar e nos esforçar para cada dia nos compreender mais. Esse é o nosso principal trabalho!

Muitas situações que vivenciamos nos confrontam e nos tiram do eixo. Podemos ficar nervosos, tristes, revoltados, magoados, surpresos… e, todo aquele trabalho de ficar bem, zen, equilibrado em poucos minutos (às vezes segundos) vai por água abaixo. Então, percebemos o quão distantes estamos do nossa tão desejada harmonia interna.

Um equilíbrio real e efetivo só é possível quando somos capazes de nos olhar por inteiro. Vasculhar cada canto, iluminar cada pedacinho e aceitar, amar e acolher tudo que encontrarmos. Escondemos de nós mesmos – conscientemente ou não – alguns aspectos que não gostamos e não queremos ter; lutamos para que eles não venham à tona e achamos que assim manteremos o equilíbrio. Isso dura até que algum fato externo acorde essa característica “monstruosa” e temos que limpar a sujeira e o rastro que ela deixa. Nos sentimos mal, consideramos que demos muitos passos para trás e nos condenamos mais um pouco por sermos assim. Arrumamos tudo e tentamos trancar, com mais cadeados, mais correntes, mais grilhões essa fera que habita em nós. Será que isso resolve?

O desenho animado Shrek apresenta um conto de fada às avessas e muito ilustrativo. A princesa, presa na torre de um castelo patrulhado por um enorme e feroz dragão, espera ser salva pelo príncipe. Até aí, nada de mais. A questão é que seu maior inimigo não é o dragão do lado de fora, seu maior inimigo é ela mesma que, ao anoitecer, transforma-se em ogra. Ela acredita que o príncipe vai salvá-la desse problema também, que nunca mais ela terá que se tornar ogra, que essa besta que reside nela irá embora juntamente com o beijo do amor verdadeiro. É  incrível, né? Sempre vem de fora nossa salvação!?! Por isso que tanta gente espera que um amor, um emprego, uma casa, um carro, resolva todas as suas infelicidades! Voltando à história… seu lado ogro não era tão terrível quanto ela acreditava, muito pelo contrário, mas ela o rejeitava por ser diferente e destoar do meio em que ela vivia, afinal uma princesa não pode ser uma ogra!!!

O quanto dessa cultura temos entranhado dentro de nós? E tudo que é diferente dela jogamos para as sombras, para baixo do tapete, para o fundo do poço. Enquanto não pudermos integrar essas diversas partes que nos compõem, nossas feras internas, estaremos sempre à mercê de sua aparição involuntária, dos “estragos” que elas podem causar. Conhecê-las, reconhecê-las e aceitá-las tiram seu aspecto monstruoso tornando-as apenas mais uma característica daquilo que somos; da beleza e maravilha do que somos!

Que possamos nos autoconhecer e autoaceitar, daí provem nossa verdadeira força e equilíbrio!

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

Carta do dia 07 de Janeiro de 2014

5 O Hierofante

V – O Hierofante

“Esse ‘penso, logo existo’ que tanto me fez sofrer, pois quanto mais pensava, menos me parecia existir.” (Sartre)

Qual o sentido da vida? O que estamos fazendo aqui? Para estas simples perguntas as respostas são inúmeras e muito variadas. Há quem não pensa muito a respeito, está aqui, faz o que tem que fazer, tenta ter mais momentos alegres do que tristes e vai levando a vida.

Pensar o porquê da existência é tarefa dura. De tão acostumados que estamos em achar as respostas pelo pensamento, tendemos a ignorar as mensagens que recebemos por vias pouco ortodoxas. Se não as ignoramos, questionamos, duvidamos, fuçamos o mais que podemos para encontrar respostas lógicas e racionais. Por sorte, há aqueles que já conseguiram se libertar das correntes do cartesianismo e ajudam a muitos outros a encontrar seu próprio caminho espiritual.

Por falar em caminho, há os caminhos efetivos: caminho de Santiago, caminho da Fé, caminho inca e talvez muitos outros. Esses caminhos ajudam e ajudaram muitas pessoas em seu encontro com o divino e sua com própria espiritualidade. Mas, os caminhos podem ser diferentes, nós somos diferentes e encontrar sua maneira pessoal de percorrer esse caminho é o maior desafio.

As religiões, em sua essência, deveriam representar o caminho mais curto até Deus, o problema está na forma como esse Deus foi traduzido e representado por elas. Ele se tornou, muitas vezes, um ser distante, inacessível, com um grande olho que tudo vê e que está pronto para castigar quem não andar na linha, na linha que a religião definiu como a certa. E são tantas linhas diferentes! Então, qual é a melhor para mim? Como saber se, assim como Deus, a religião também está fora de nós.

Todos os caminhos existentes são possibilidades, nada mais do que possibilidades! Não há o mais certo, o melhor, o único. Único é apenas o caminho que cada um faz e fará em direção à sua própria luz, sua própria espiritualidade, sua própria verdade. Não há gurus, mestres, mentores, sacerdotes, xamãs, religiosos que podem dizer qual é o seu caminho. Esse trilhar é seu, apenas seu!

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

Carta do dia 06 de Janeiro de 2014

king of swords

Rei de Espadas

Quem é que não sente o que os olhos não veem?

A expressão “o que os olhos não veem o coração não sente” no senso comum quer dizer: se você não souber de algo, não vai sofrer. O sofrimento está sempre associado ao coração. Bizarro, não?

Você  já deve ter tido experiências de pressentir algum fato e confirmar depois. Nas mulheres isso é ainda mais comum! O nosso tão aclamado sexto sentido (que os homens também têm, com a mesma qualidade) nos sinaliza várias coisas e, quando menos esperamos, pimba!, na mosca! O acontecimento é uma comprovação do sentir, mas definimos que só isso é real, a percepção não vale. Quando acontece, temos um dado de realidade, uma realidade que o coração já sentia, mas a mente negava. A partir de então, os olhos veem, não podemos mais negar.

Por isso a pergunta, os olhos apenas comprovam o que o coração já sentia, mas quem precisa dessa comprovação é a mente, a mente e o ego. Com a prova vem um turbilhão de “emoções” (ou seriam pensamentos?): como puderam fazer isso comigo? não sabem com quem estão se metendo!, eu não merecia isso!, sou muito mais eu!, ele(a) não me merece! E por aí vai.

Se analisarmos nossos pensamentos-emoções veremos que existe amor próprio ferido em grande intensidade. Nossos ódios, raivas, rancores, mágoas vêm do ataque ao nosso ego, ao nosso orgulho.  No dicionário Michaelis, a palavra orgulho significa:  1 Conceito muito elevado que alguém faz de si mesmo; altivez, brio. 2 Amor-próprio exagerado. 3 Empáfia, bazófia, soberba. 4 Ufania. Aquilo de que alguém pode orgulhar-se. E a palavra ego significa: experiência que o indivíduo possui de si mesmo, ou concepção que faz de sua personalidade; em psicanálise, apenas a parte da pessoa em contato direto com a realidade, e cujas funções são a comprovação e a aceitação dessa realidade.

Um ataque ao nosso orgulho, ao nosso ego, representa uma tentativa de reduzir nossa importância, nosso significado. Aquela frase medonha: você sabe com quem está falando? é apenas o orgulho (neste caso, arrogância) falando mais alto. Aí, alguém vai gritar: orgulho é diferente de arrogância! Temos que ter orgulho do que somos! Bonito, mas pouco prático porque o orgulho é sempre mediado pelo outro. Amar a si mesmo não é, nem deve ser, sinônimo de orgulho. Pois, para se amar basta si próprio. Para alimentar o orgulho é necessário o aplauso dos outros, mas muitas vezes recebemos vaias. Quando vinculamos nosso amor próprio à aprovação do mundo, isso não é amor, é ego.

Para podermos ir além do ego, precisamos acessar nossa essência, sair da chamada zona de conforto – e de muito desconforto. É confortável apenas porque é conhecida e é o que achamos que esperam de nós, mas é imensamente desconfortável porque estamos fazendo grande esforço para mantê-la, ela não representa o que somos verdadeiramente. Gastamos tanto tempo e energia mantendo as coisas como nosso ego acredita que devem ser que, quando percebemos, envelhecemos, cansamos e não tivemos a vida que realmente nos fizesse felizes.

Você vai esperar chegar ao fim para constatar que deixou o ego comandar sua vida, ou vai assumir quem é e o que gosta agora mesmo? Tenha certeza de que se optar pela segunda alternativa, você se amará mais, atrairá amor verdadeiro e será imensamente mais feliz!

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117

Carta do dia 03 de janeiro de 2014

9 de Espadas

9 de Espadas

Para um ano verdadeiramente novo!

Começo de ano… expectativas, planos, projetos, ideias, coisas por fazer, não desistir, continuar, persistir. Ufa!!! Quanta coisa! Nem sempre o balanço de final de ano é muito estimulante. Analisamos o que havíamos planejado e constatamos que muitas coisas ficaram pendentes. Isso acontece, seja porque mudamos de rumo ou porque não tivemos força (muita vezes, de vontade) para tocar adiante. Mas, olhamos em volta e percebemos tantas pessoas que conseguiram o que haviam definido no começo do ano: pararam de fumar, emagreceram, encontraram um novo amor, tiveram promoção no trabalho e por aí vai. “Essas pessoas triunfaram, enquanto eu continuo na mesma.” E iniciamos um processo de autopunição: eu não sou persistente, assim nunca vou prosperar, preciso mudar, não sou bom o suficiente, preciso de vitórias!

Ei, dá um tempo a você mesmo! Pare de se crucificar pelo que não conquistou, pelo que não realizou. Olhe novamente para o seu ano e perceba as outras coisas que lhe aconteceram. As boas coisas da vida não são apenas aquelas que são vistas pelo mundo, na verdade, a grande parte delas é sentida, percebida apenas por nós mesmos. Identifique as mudanças, mesmo que pequenas, que você realizou: deixou de se incomodar com uma pessoa, livrou-se de uma mágoa, aprendeu algo novo, descobriu uma habilidade adormecida, conheceu gente interessante. A vida é feita disso, muito mais disso do que de outras tantas coisas supervalorizadas por uma sociedade consumista e impregnada de modelos estéticos e culturais.

Se mesmo assim você não consegue perceber pequenas realizações, se considera que sua vida é um contínuo acúmulo de insatisfações e obrigações, é chegado o momento de você rever suas diretrizes. Você faz o que verdadeiramente quer? Ou o que acredita que deve fazer – aquilo que ‘dizem’ ser o caminho do sucesso? Você respeita seus instintos, sua intuição suas necessidades? Ou você acha que tudo isso apenas atrapalha, que a mente deve ser a única comandante de sua vida?

Não negue a vida que ferve dentro de você, pois essa é sua essência vital! Toda e qualquer conquista advinda do massacre e repressão desses impulsos de vida não trazem satisfação real, são pequenas doses de uma droga que intoxica e adoece seu corpo e espírito.

Celebremos este ano que começa, sem autocondenações, sem autopunições. Que neste ano possamos nos libertar dos mecanismos psíquicos que trazem sofrimento e destruição; que neste ano possamos nos libertar do medo, todos os tipos de medo, que nos aprisionam e paralisam; que neste ano possamos nos aproximar mais e mais de nossa porção mais pura, real e divina; que neste ano trilhemos nosso próprio caminho, o caminho de nossa verdadeira expressão!

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117