Carta do dia 21 de Janeiro de 2014

8 A Justiça

VIII – A Justiça

Nem sempre o que queremos é o que precisamos!

Nos últimos dias tenho ouvido muita gente reclamando do ano de 2013 – ano difícil, cheio de acontecimentos inesperados e desagradáveis -, mas quando reflito como foi esse ano para mim, tenho outras percepções. Não foi um mar de rosas, mas foi bastante significativo no olhar sobre a minha vida, na aceitação daquilo que deveria mudar e partir para a ação. Na verdade, foi um ano de muito trabalho interno e de grandes transformações. Isso não é fácil, mas definitivamente, foi substancial em minha vida.

Continuei me perguntando o porquê de ter sido um ano difícil para tantas pessoas e hoje o Tarô me deu uma luz. 

O equilíbrio é uma busca constante, equilíbrio interno e externo. Vida tranquila e constante, que perfeição! Infelizmente, o equilíbrio nem sempre é mantido com facilidade, novos fatos ocorrem, tiram nosso foco e, pimba, perdemos o equilíbrio. Ficamos atormentados e desnorteados. Buscamos avidamente pelo retorno do equilíbrio, mas já não é tão fácil. Nossa tendência é radicalizar: se isso já não dá mais certo, vou partir para outra! Vou fazer tudo diferente agora! É tudo ou nada, é oito ou oitenta! E o equilíbrio… que equilíbrio?

Vem-me a imagem de um homem andando em um fio, a concentração é a base de seu equilíbrio; atenção e foco nos passos, em qualquer variação do ar, vento… Quando há algum desequilíbrio, tenta suavemente voltar à posição inicial. Ele sabe que esse é o caminho, seu caminho. E mantem o foco! Mas, para nós que não estamos em um fio suspenso é tão difícil! Porque logo começamos a desacreditar no nosso caminho e concluímos que gastamos tempo e energia inutilmente.

E assim, perdemos o maior de nossos aprendizados. Deixamos de compreender porque fomos surpreendidos, o que temos para aprender com o que nos aconteceu. Achamos que a vida não é justa, que não está reconhecendo nossos esforços, que o universo não conspira a nosso favor! Porque continuamos a crer que a vida deve nos presentear com o que queremos e não percebemos que ela nos coloca em situações que precisamos enfrentar para crescer. O querer é fruto do nosso consciente, mas é nosso inconsciente que sabe o que de fato precisamos para nosso real desenvolvimento!

Quando algo nos desequilibra, não podemos fugir dele! Temos que encará-lo e entender. Quantas pessoas dizem: quanto mais rezo mais assombração me aparece! São mensagens! Quanto mais negamos as mensagens do inconsciente, mais vezes ele se manifestará e a cada vez de maneira mais enfática! Ele pode começar se manifestando como uma emoção, até nos derrubar seja psíquica, física ou financeiramente. Acidentes, doenças, depressão, perda de dinheiro… são algumas de suas formas mais contundentes! E quanto mais desejamos manter as coisas como estão, maior é o impacto sentido!

Estamos aqui para evoluir e essa evolução passa fundamentalmente por nosso autoconhecimento, o entendimento de quem verdadeiramente somos. Quanto mais nos cegamos a essa verdade interior, mais sofrimento e desequilíbrio encontraremos pelo caminho!

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

 

Carta do dia 20 de janeiro de 2014

Rainha de Copas

Rainha de Copas

Enfrentando o “monstro” interno!

Cotidianamente somos convocados à luta, à racionalidade, à atividade. Temos que ser proativos, determinados, quase agressivos. Devemos ser mais yang do que yin, mais masculino do que feminino, mais mentais do que emocionais. A sociedade e sua cultura estabelecem que apenas agindo assim encontraremos um lugar ao sol, seremos bem sucedidos e aceitos. Essa é a maneira como aprendemos a ocupar nosso espaço e atuar socialmente. E assim fazemos, infelizmente, não só no externo, como no interno também!

Passamos a acreditar que os aspectos femininos mais atrapalham do que ajudam, o emocional cedo ou tarde descamba, que a razão é mais correta do que a intuição. Passa-se o tempo, correm-se os anos e sedimentamos, pouco a pouco, esses nossos atributos mais sensíveis, deixando-os presos, amarrados e vigiados para que não escapem inconscientemente. Relegamos-os ao rol dos indesejáveis e perigosos, dos rejeitados. Ah, nada melhor do que uma vida sem excessos emocionais, sem ressacas morais, sem falar o que não se deve e sem sentir o que não se pode! Relações estáveis e racionais, atividades controladas, tudo sem sobressaltos, sem surpresas. Pode não ser lá muito criativo e entusiasmante, mas com certeza é muito mais seguro!

E assim, vamos emparedando nossas emoções, isolando-as de nós mesmos. Ou melhor, achamos que estamos conseguindo isso, até o momento que ela escapa. Como??? Fiz de tudo para contê-la? Mas, ela escapa, inadvertidamente, e destrói anos e anos de trabalho. Coloca-nos cara a cara com o que somos, dizendo: olha para mim! eu sou você! Quanto mais negamos essa porção, mais desequilibrada ela se torna, quanto mais tentamos esconder nossa emoção, mais sensíveis nos tornamos.

O padrão de beleza avança do externo para o interno e passamos a rejeitar nossa maneira de ser e de sentir. E, quanto mais negamos o que somos, mais nos tornamos reativos ao que nos acontece. Fica mais difícil receber, observar e compreender. Quando começo a ter uma sensação, logo identifico com algo que não gosto, não gosto e tenho aversão! Não, não quero isso, não sou assim, isso não faz parte de mim! Pronto, começamos a criar um monstrinho interno que só tende a crescer. Ao observarmos, ao nos observarmos, sem julgamentos, sem pré-conceitos, sem achismos e teorias, começamos a tirar as cascas e crostas que tornam partes de nós tão feias e indesejáveis. Começamos a olhar de maneira mais clara e lúcida sobre aquilo que por tanto tempo nos pareceu intragável. Começamos a entender melhor quem somos e a gostar mais do que somos. Começamos a nos integrar internamente. Começamos a ser menos reativos. Começamos a nos consultar mais, a prestar mais atenção no que sentimos antes de tomar uma atitude. Começamos a nos sentir mais confortáveis, mais tranquilos, mais felizes com o que somos.

Difícil? Fácil não é! É necessário empenho, dedicação e muita vontade. Afinal, romper um longo processo de automatismo exige muito esforço e conscientização. Como fazer isso? Há muitas técnicas e métodos à disposição, mas cada um deve encontrar o método que mais se identifique, pode ser unindo várias técnicas, às vezes, tentando várias até chegar na que mais sentido faz no momento. E a que resolve hoje, pode não ser mais tão boa amanhã.

Mas, existe uma que é indispensável: a meditação! Medite, seja do jeito que for: sentado, em pé, correndo, nadando… Meditar não é só acalmar a mente, é se observar sem nada fazer, sem análises ou julgamentos. Quando meditamos criamos a possibilidade de unir a razão e a emoção, o mental e o intuitivo, enfim, de nos reconhecer como seres únicos e indivisíveis.

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

Carta do dia 17 de Janeiro de 2014

6 de Paus

 

6 de Paus

Realização profissional para poucos ou para todos?

Existem momentos na vida que são marcantes! Momentos em que nos sentimos realizados, que percebemos que nossa energia investida  em uma atividade foi tão bem aplicada que reverbera, que emana, que nos envolve. Momentos assim podem ser raros ou frequentes, tudo depende do que fazemos, ou melhor, como escolhemos o que fazer.

Algumas pessoas podem achar que não há escolha, temos que sobreviver e, portanto, devemos trabalhar no que paga melhor ou, na pior das hipóteses, naquilo que encontramos, que há no mercado. Escolher trabalho? É coisa de quem não precisa de dinheiro, de quem não tem que pagar as contas! Muita gente pensa assim, pensa que é luxo de uma minoria desejar e procurar um trabalho que atenda suas necessidades psíquicas e intelectuais, não apenas financeiras. Afinal, a vida é dura, tem que se esforçar, trabalho não é prazer. São tantas as mensagens negativas emitidas sobre a relação com o trabalho que fica difícil acreditar que pode ser melhor! A satisfação profissional é mérito de alguns poucos escolhidos, dos bem relacionados, os de QI alto – tanto intelectual, quanto de indicação. Sucesso profissional, então, desista, é questão de sorte! Se não dá para ter satisfação nem sucesso, segue-se o lema: se pagar bem, que mal tem? Faço qualquer coisa, pelo menos posso ter uma vida confortável, comprar coisas, viajar nas férias… e passar boa parte de minha vida em uma atividade em que suga um bocado de energia, sem deixar muita coisa no lugar.

A sobrevivência física é parte da vida, parte muito importante e inegável. Não é essa a discussão! A discussão é: o que aprendemos e tomamos como verdade a respeito de nossa sobrevivência? Durante a vida ouvimos repetidamente frases do tipo: isso não dá dinheiro!, você acha que vai pagar as contas fazendo isso?, o bom é ter um salário no fim do mês, não importa fazendo o que!, para de sonhar, a vida não é feita de sonhos e sim de muito suor! E de tanto escutar essas coisas, deixamos de lado nossas “fantasias” e embarcamos no bonde em que todos devem estar. O pior de tudo isso é que não é por um tempo, abandonamos efetivamente nossos sonhos, seguimos o caminho padrão e acreditamos que ele é único.

Nem sempre fazemos o que gostamos, nem sempre temos a felicidade de trabalhar naquilo que nos realiza, afinal, precisamos trabalhar! Mas, podemos manter acesa nossa luz, podemos fazer do trabalho de hoje um modo de sobreviver para poder realizar nosso sonho amanhã, aos poucos, paulatinamente. Afinal, os momentos de realização não podem ser raros, fazer o que se gosta não pode ser exceção, levar uma vida que tenha a nossa cara deve ser a regra, a regra de nossa vida!

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

Carta do dia 13 de janeiro de 2014

15 O Diabo

XV – O Diabo

Todo condicionamento massacra os instintos!

Muitas coisas que fazemos – e consideramos como nossas características pessoais – foram aprendidas e/ou utilizadas como compensações. Compensação da falta de prazer, compensação da ausência de alegria. Posso não ter um trabalho que eu gosto, mas o salário compensa. Meu namorado não me trata muito bem, mas não fico sozinha. Ou ainda, podemos comer, fumar, beber para amenizar a ansiedade, a tristeza, a depressão. Melhor assim, se não, teríamos que dar “trela” àquilo que realmente queremos e desejamos e isso poderia nos colocar em maus lençóis!

Você pode achar que é um exagero, mas não é não! Quando observamos bem nossa vida, quando permitimos olhar com atenção às nossas reais vontades, percebemos que engolimos muitos sapos, abrimos mão de muitas coisas importantes, deixamos de lado sonhos…

Somos seres instintivos e esses instintos estão despertos desde a nossa mais tenra idade. Aliás, por sermos bípedes, nascemos antes de estarmos totalmente formados – como os outros mamíferos – e somos muito dependentes dos outros. Nosso instinto de sobrevivência é o primeiro a aparecer e começamos a identificar inconscientemente como podemos continuar vivos. E a sobrevivência não é apenas física, mas também emocional e psicológica. Percebemos o que devemos e o que não podemos fazer para receber atenção, carinho, afeto. Apesar de mal-formados, somos muito espertos! Mas, aquilo que parece nossa salvação, torna-se pouco a pouco nosso maior calvário.

Somos seres gregários, precisamos estar em grupo, não vivemos isoladamente! A solidão absoluta coloca em risco nossa vida. O olhar do outro, o toque do outro, o afeto do outro dão sentido à existência e em nome disso, somos capazes de sufocar nossos prazeres e alegrias. Mas já não somos bebês indefesos! Não precisamos agradar aos outros fazendo o que “eles” acham que é o certo para nós!  Mas quem são “eles”? São as verdades aprendidas, as verdades do que é certo ou errado, as verdades sobre o que somos e sempre seremos, as verdades que definem como devemos direcionar nossas vidas. 

Tem vontade de ser mais livre? Não pode, então compensa com outra coisa. Tem vontade de uma relação mais verdadeira? Melhor um pássaro na mão do que dois voando… então come chocolate. Compense, compense, mas não se arrisque a satisfazer sua vontade! Controle-se! Controle sua emoção, controle seu desejo, controle suas vontades!

Há uma imensa diferença entre uma mente saudável, em consonância com o corpo e os instintos, e a repressão, a auto-repressão de uma mente que tem medo de seguir seu próprio caminho, o caminho de todo seu ser!

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

Carta do dia 9 de Janeiro de 2014

king of swords

 

Rei de Espadas

Quantas boas ideias você já teve? E o que fez com elas?

Pensamos tanto. A nossa mente é povoada de pensamentos e ideias: construímos um novo mundo, inventamos novos objetos, resolvemos os problemas sociais, criamos novas atividades; e concluímos que tudo é sonho, imaginação, loucura. Desconsideramos todas as ideias que fogem do padrão, que pareçam “revolucionárias” demais! Não! Somos medíocres, não somos gênios; temos que trabalhar para ganhar a vida, não podemos ficar em devaneios; não podemos dar corda para essas ideias, temos que fincar os pés no chão!

Trabalhar e ter foco na realidade são fatores fundamentais para a vida, mas temos que ter cuidado para não exagerar na dose. Ficamos tão envolvidos naquilo que é considerado padrão, que excluímos tudo que possa ser inovador, inovador para nossas vidas!

Estamos tão imersos e absorvidos em uma ideologia que nos coloca como mais um no gado humano que temos medo de seguir um caminho próprio. Anulamos, questionamos e refutamos toda e qualquer ideia que nos leve para outro caminho. Acreditamos que, se todos estão fazendo a mesma coisa, é isso que devo fazer também! Como se estivéssemos protegidos nesse senso comum! Ignoramos nossas particularidades porque elas nos deixariam livres, livres para trilhar um caminho diferente, um caminho que nos tiraria da rota de todos os outros, mas que também nos traria a responsabilidade pelas conquistas e perdas.

De onde tiramos o conceito de que o que é bom e seguro é o que todos estão fazendo? De onde vem o medo de fazer o que emana de dentro de nós? De onde vem a certeza de que só é bom o que todos estão fazendo? Vem dessa ideologia da cerca, da domesticação, da pasteurização das mentes e emoções!

Olhemos para a vida! Ela é resultado de nossas ações, apenas de nossas ações! De nada adianta o aplauso externo quando não conquistamos a alegria e a paz internas. As ideias que guardamos e aguardamos para um dia colocá-las em prática, precisam vir à tona, tomar forma, colocar em prática. Que sejamos capazes de nos libertar dos condicionamentos que tira nossa real liberdade e a maravilha de sermos únicos!

Magda Kumara

T. (11) 9-8506.3117