Carta do dia 10 de junho de 2014

5 O Hierofante

V – O Hierofante

por Magda Kumara

Além do que os olhos podem ver…

O autoconhecimento é a principal maneira de reduzirmos o sofrimento. Quando observamos, compreendemos e perdoamos sinceramente– aos outros e a nós mesmos – pelas nossas feridas, as dores diminuem até cicatrizarem.  Por mais difícil que seja senti-lo, o sofrimento nos ajuda a entender as dores humanas, nos deixa mais próximos uns dos outros, fortalece a solidariedade e a empatia.

Quando alguém está sofrendo, a compreensão da espiritualidade é um alento e um grande apoio para continuar a jornada. A compreensão de que nossa existência é maior do que julgamos, de que a dor que sentimos é parte do processo de evolução espiritual, de que tudo que vivenciamos é fruto de nosso livre arbítrio para aprimoramento e elevação dá sentido a cada tragédia pessoal vivenciada.

A percepção de si mesmo de forma ampliada, ultrapassando os limites físicos, em profunda relação com seu mestre interior, possibilita reconhecer-se para além dos papéis predefinidos. Não há vítima, vilão ou herói; não há ganhador ou perdedor; não há certo e errado. O que há é uma convicção de que cada passo, cada tombo, cada nova etapa representa uma parte de algo muito maior, uma jornada única e divina de cada ser com sua própria essência e processo espiritual.

A espiritualidade quando incorporada na vida, no entendimento de que todos os atos e ações estão intrinsecamente associados às questões do espírito, traz luz e esclarecimento às adversidades e às alegrias.

Há um tanto na vida que é muito maior do que nossos olhos físicos podem ver, mas que nossa intuição percebe nitidamente e reconhece como o sentido do próprio existir.

Carta do dia 09 de junho de 2014

09-O Eremita

IX – O Eremita

por Magda Kumara

A vida não para, mas às vezes você precisa parar!

Tenho observado a vida das crianças… tão cheia de atividades. Escola, aula de inglês, futebol ou balé, aula de música ou algum instrumento, lição de casa. Não há tempo para o ócio, para o criar, para estar consigo mesmo.

Adultos fazem com as crianças o que fazem a si próprios. Não se pode perder tempo,  nada de ficar parado, tem que aproveitar cada minuto para se aperfeiçoar, para aprender algo novo, afinal, o mundo é muito competitivo e quem ficar para trás perderá seu lugar ao sol.

E nesse contínuo e estressante movimento, surgem os sintomas: angústia, sensação de sufocamento, sentimento de opressão…ah, preciso de espaço, me dá um tempo! Não estou bem, devo estar deprimido. Será?

A vida muito acelerada e socialmente intensa, sem tempos de parada, sem momentos de introspecção, dificulta o autoconhecimento. Encher-se de atividades e de pessoas pode ser um mecanismo de fuga de si mesmo, de se olhar, de reconhecer suas necessidades. Um processo de autoengano, como uma droga que entorpece suas próprias dores.

Desacelere! Respeite seu ritmo! Nada pode ser tão urgente que deva ultrapassar os limites de seu ser interno. Recolha-se, dê um tempo para si, um momento somente seu, todos os dias, para entender o que sente, para perceber como está, para reconhecer suas necessidades.

Assim, quando estiver com os outros, estará pleno e consciente. Estará compartilhando o que pode compartilhar, sem aviltar-se. Receberá o que cabe em você, o que consegue receber, sem sobrecarregar-se.

O contato com o mundo fica muito mais fácil quando se está em consonância com o que se é. Tudo flui muito melhor quando reconhece e respeita seus limites e possibilidades.

Carta do dia 06 de junho de 2014

10 A Roda da Fortuna

X – A Roda da Fortuna

por Magda Kumara

Sobe e desce, começo e fim… a dinâmica da vida.

Num parque de diversões a roda gigante é uma das atrações. Quando estamos nela e vamos para o alto, dá um friozinho na barriga, um misto de excitação e medinho. Todos estão tão pequenos lá embaixo, a vista é tão bonita, é tão alto… mas, logo se inicia a descida e estar no mesmo nível não é tão agradável, não é divertido, queremos subir!

A vida é como a roda gigante. Tem dias que parece que o mundo conspira a seu favor: elogios, êxitos, tudo parece dar certo. Mas, há outros dias… Tudo dá errado, desde a hora que acorda até a hora de dormir. Era melhor nem ter saído de casa!

Além dessas mudanças diárias, há as mudanças na própria vida: paixões e separações, novos projetos e fracassos, nascimentos e mortes. A vida é igual à roda gigante: não ficamos em cima o tempo todo, se subimos, teremos que descer. Tudo que começa, acaba. Os eternos ciclos. Mas, por que não nos acostumamos a isso?

Queremos eternizar nossas alegrias, nos apegamos àquilo que amamos e rezamos muito para que nada atrapalhe nossa felicidade. Sem perceber que dessa maneira estamos promovendo nosso próprio infortúnio. As mudanças fazem parte da dinâmica da vida e, quanto mais lutamos contra elas, mais sofremos quando ocorrem.

A essência do sofrimento humano está em querer mais e mais do que gosta e menos, muito menos, daquilo que desagrada. E entre essa ânsia e aversão sofre-se ante a iminência de que ocorra o contrário do que deseja. Aceitar que tudo na vida é impermanente possibilita curtir e aproveitar integralmente o que faz bem e aceitar que aquilo que faz mal também terminará.

Carta do dia 05 de junho de 2014

3 de Paus

3 de Paus

por Magda Kumara

Empregando sua energia no que traz realização

É muito comum ouvirmos as pessoas falando que queriam fazer uma coisa na vida, mas acabaram indo para atividades totalmente diferentes. E, quando observamos com atenção, percebemos que elas tinham tudo para dar certo naquilo que gostavam (ou será que ainda gostam?).

Tantos talentos e dons desperdiçados. Por que isso? Por que tantas pessoas desistem de seus sonhos? Vemos muita gente frustrada e estressada por gastar sua energia em coisas que não satisfazem, não preenchem sua alma.

Somos condicionados pelo meio que habitamos, ele define o que tem valor e o que é inferior, o que é admirável e o que é deplorável. Assim, queremos ser aquilo que nosso ambiente admira e escolhemos nossas atividades baseados nesse conjunto de valores e negamos em nós tudo aquilo que destoa. Não é a toa que tem tanta gente descontente como que faz, infeliz mas sem coragem para mudar sua vida.

Mas, muitos de nós ainda dizem que tiveram que desistir de seus sonhos porque o filho nasceu, porque o pai não aceitava, porque a família iria ficar decepcionada… Sinto muito, mas culpar os outros pela sua frustração é uma maneira de justificar sua covardia em ir atrás do que queria. Sem contar que, às vezes, é mais cômodo ser um frustrado profissionalmente do que tentar e descobrir que é medíocre no que faz. Esse é o maior perigo de correr atrás do sonho: descobrir que não é tão bom quanto acreditava. Ter que recomeçar, ter que encontrar outro sonho, outra motivação.

O verdadeiro fracasso é passar a vida sem realizar seu propósito. O resto é preconceito, vergonha de assumir sua vocação, medo de ser quem se é.

Não podemos nos esquecer de que estamos aqui para sermos felizes, não para sofrer e gastar essa maravilhosa oportunidade em afazeres desprovidos de significado e realização.

Carta do dia 04 de junho de 2014

queen_pentacles

Rainha de Ouros

por Magda Kumara

O corpo reflete a atenção dispensada a você mesmo!

Há poucos dias o Tarô apresentou esta mesma carta e não existem coincidências. Quando algo se repete é porque o aprendizado não se concluiu e a mensagem não foi entendida. E a mensagem que o tarô insiste é sobre o cuidado com o corpo. E nesse mesmo período, alguns amigos tiveram problemas de saúde, dos mais variados. E, de um jeito ou de outro, é o corpo deles dizendo: “ei, você está forçando a sua barra, você está acumulando energia negativa, está desrespeitando a si mesmo, está engolindo sapo que não é seu!”. O corpo está tentando te mostrar que é preciso parar e perceber o que está acontecendo. Não pode ligar o piloto automático e seguir sem prestar atenção ao que te afeta. Por mais que digam ao contrário, a vida não é assim! A vida não é sofrimento!

Parece que a maioria das pessoas está sempre cansada, de um cansaço fruto da falta de satisfação em suas atividades e relações. E esse cansaço cria e recria mais cansaço, apatia e desânimo. Não faz atividade física porque está cansado, tem pouco tempo até para dormir, tem que acordar cedo. Come mal porque está cansado para fazer uma comidinha saudável, vai de trashfoodmesmo, pega qualquer coisa congelada cheia de sódio com um belo copo de refrigerante, que a fome passa e está alimentado (!).

E quanto ao prazer? Um bom e gostoso sexo além de dar trabalho ainda diminui o tempo de sono, não dá não, quem sabe no final de semana, se as crianças deixarem e se tiver disposição.

E, nessa pegada, o corpo é pouco cuidado e recebe toda a carga de insatisfação e frustração, mas quando chega ao seu limite ele literalmente arria e faz você parar, observar e quem sabe começar a cuidar para que a vida seja mais próxima do que deseja. Para isso, é preciso que perceba que a vida é e pode ser muito mais do que acredita.