Carta do dia 10 de julho de 2014

10 de Paus

10 de Paus

por Magda Kumara

Carregar a cruz

Essa é uma expressão muito usada e que precisa ser melhor entendida para transformar sua representação em nossas vidas. Sempre que pensamos nela, nos vem à mente a imagem de sofrimento e abnegação. Lembra do Pagador de Promessas? Carregar a cruz é o símbolo do sacrifício, mas também do castigo. Afinal, carregar a cruz é condenação, é pagar o preço de escolhas, decisões e caminhos percorridos.

Mas quem coloca a cruz sobre nossos ombros se não nós mesmos? A cruz representa nossas responsabilidades e obrigações, e quanto mais há disso na vida, menos espaço sobra para o espontâneo, para a liberdade, para o relaxamento.

Passamos muito tempo buscando algumas coisas na vida, sejam bens materiais, ascensão profissional, construção de família, que quando nos damos conta, a realização de nossos desejos representa tantos compromissos, requer tanta disciplina, que deixamos de usufruir sua conquista, e eles vão se tornando mais pesados e desagradáveis.

Mas quantos desses compromissos são realmente importantes? Quais tarefas assumimos que poderíamos delegar aos outros? Quantas coisas fazemos por querer agradar, ou para que nos considerem necessários?

De nada adianta ter uma casa de campo se não tem tempo para curti-la. De que adianta proporcionar conforto à família se não tem tempo para estar com ela? De que adianta a realizar um sonho se ele se torna um pesadelo?

A vida tem obrigações, mas há espaço para a leveza, o riso, a festa, o prazer, o ócio, a espontaneidade, a brincadeira, a espontaneidade, a alegria, o amor, a paz, a felicidade…

Carta do dia 08 de julho de 2014

9 de Ouros

9 de Ouros

por Magda Kumara

Amor fati (amor pelo próprio caminho)

É maravilhoso dividir a vida com outra(s) pessoa(s). É saudável compartilhar risos e choros. É delicioso amar e ser amado.

Mas, para que essa (re)união seja efetiva e completa, antes é preciso gostar de seu próprio ser, curtir a sua própria companhia, sentir-se confortável com seu próprio corpo, deliciar-se com seu próprio caminhar.

Estamos irremediavelmente sozinhos em nosso sentir, podemos estar com os outros mas ninguém, absolutamente ninguém, é capaz de realmente sentir o que sentimos. Nossa dor, nossa emoção, nossa alegria, nossa felicidade, nosso gozo, nosso prazer, nosso nascer, nosso morrer, tudo é inerentemente nosso, de mais ninguém, por mais amigo que seja, por mais que nos ame.

Ter prazer em ser o que se é e gostar de si mesmo é a busca da maioria de nós, uma dura tarefa. Por muito tempo ficamos focados em atrair o amor, em um processo de fora para dentro (receber amor para se amar), e mesmo com algum sucesso, o amor recebido não é suficiente para cobrir a parte ausente de amor por si mesmo. É necessário inverter o processo.

Quando começamos a gostar mais do que somos, entendendo o que nos deixa alegre e o que nos entristece, sabendo o que nos é prazeroso e o que nos angustia, nos livramos de um enorme peso que sempre se manteve sobre nós. Sentimos uma imensa paz, restaura-se a confiança e a certeza de que somos capazes de realizar, criar e atrair aquilo que desejamos e merecemos.

Carta do dia 07 de junho de 2014

2 de Ouros

2 de Ouros

por Magda Kumara

Se for flexível entorta, mas não quebra!

Embora não seja arquiteta nem engenheira, sei que os prédios são dotados de uma certa maleabilidade a fim de evitar que pequenos balanços o coloquem para baixo. Em países em que os tremores de terra são constantes, os edifícios apresentam maior amplitude de movimento. Por isso que quando há um forte terremoto no Japão, as construções mais recentes pouco sofrem.

Podemos aprender uma lição com isso: quanto mais rígidos formos, maiores nossas chances de quebrar. Quanto mais resistentes às mudanças formos, maior será o sofrimento.

A vida é dinâmica e está em constante movimento. Querer estancá-la ou aprisioná-la é impossível!  Ao tentarmos fazer isso, geramos mais e mais tensão, desgastamos nosso corpo físico, desperdiçamos uma quantidade absurda de energia , ficamos nervosos e histéricos e, no fim, a mudança veio do mesmo jeito.

Quando aceitamos nossa impotência, não resistimos às mudanças, nos adaptamos a elas. Podemos até mesmo celebrá-las por representarem novas oportunidades de crescimento e de aprendizagem.

Quando saímos para dançar, as músicas se sucedem, uma após a outra, nem sempre são do mesmo estilo, nem sempre têm o mesmo ritmo, podemos não conhecer nem mesmo gostar de todas, mas se a proposta é dançar, dançamos. Nos adaptamos às músicas e seguimos sua batida. E nos divertimos! Assim é a dança e assim também pode ser a vida! Mais leve, mais solta e muito mais fácil de viver!

Carta do dia 04 de julho de 2014

8 de Espadas

8 de Espadas

por Magda Kumara

Se tens medo de se expandir, tem medo da vida!

No interior é comum cortarem as asas das galinhas para que elas não voem. Quem é da cidade grande chega a pensar que galinha não voa, na verdade ela voa bem baixinho. E esse termo, “cortar as asas” é muito usado para ameaçar alguém que está tentando alçar voos maiores, para incutir o medo: “não se anima porque daqui a pouco vão cortar suas asas”. E entre o medo de que cortem nossas asas em pleno voo, aprendemos a nos autopodar, assim evitamos a queda. E de tanto evitar a dor da queda, não nos permitimos voar!

As restrições autoimpostas funcionam como uma verdadeira prisão da alma e da vida. Impulsos, desejos, novas ideias, novos amores, são tolhidos pelo medo. Medo do fracasso, medo de errar, medo de se frustrar, medo de se desiludir. É como se aquele sonho comum da adolescência – o de estar nu em público – pudesse se realizar. E nisso, nos aprisionamos mais, cortamos mais um pouco nossas asas e quando vemos, nem um voo baixo somos capazes de dar.

É o momento de sair dessa escuridão de medo, dessa caverna que nosso ser habita. Não podemos passar a vida hibernando, há mais sol e calor lá fora do que nosso ego pretende nos convencer. Esse mesmo ego que nos sabota e que é tão pessimista, que nos faz acreditar que é melhor se apequenar do que sofrer ante uma possível derrota.

A vida nos convoca a acreditar em quem somos e atender nosso apelo de expansão, de luz, de amor. Sejamos corajosos para romper com as crenças de que não somos capazes, de superar as críticas e autocríticas, de crer que a vida é muito maior do que qualquer medo de derrota!

Carta do dia 03 de julho de 2014

8 de Paus

8 de Paus

por Magda Kumara

Se prender muito, arrebenta!

Você já percebeu que toda vez que adia fazer ou falar alguma coisa, seja porque não quer criar conflito, ou porque não quer magoar, ou porque acha que não tem direito, ou porque está esperando a hora certa, mas não consegue parar de pensar  naquilo, mais a coisa cresce até explodir e  tudo que te resta é limpar a sujeira?

Depois que o caldo entorna você pensa: segurei tanto para quê? Da próxima vez não vou segurar porque só fica pior. Hum hum, será?

Não sei de onde tiramos a ideia de que se não mexermos naquilo que nos incomoda tudo se evaporará como obra do divino espírito santo. Não evapora, não! Pode até parecer que foi embora, mas está lá, como uma cobra, pronta para dar o bote assim que for cutucada.

Conheço muitas pessoas que parecem tranquilas, calmas, serenas e, do nada, têm um ataque quase histérico. Começam a falar de coisas que aconteceram há anos, situações que já foram resolvidas há tempos – pelo menos eu achava. Tudo estava lá dentro, debaixo da placidez de seus gestos e feições. Confesso, é assustador! Mas, atire a primeira pedra quem nunca deu um piti desses!

Para evitar, não só o constrangimento, mas o desgaste dessa situação, temos que aprender a expressar essa energia que cresce em nós. Precisamos começar a descarregá-la voluntariamente,deixar que ela flua, sem retingi-la ou censurá-la. Assim, ela não se avoluma, nem toma proporções gigantescas. Observando-nos, conhecendo-nos, tirando toda crítica e negação, seremos capazes de mostrar o que queremos e o que somos sem medo… e sem explosões!