Carta do dia 17 de julho de 2014

3 de Espadas

3 de Espadas

por Magda Kumara

A paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz!

Insistentemente o Tarô vem nos alertando, especialmente nesta semana, para os perigos em anular o que pensamos e sentimos. Hoje ele dá uma amostra do que pode nos acontecer quando negamos o que somos.

A harmonia é maravilhosa. Que benção seria viver sempre em harmonia!  Mas a que preço? O que fazemos para manter a harmonia em nossas relações e atividades? Achamos que é melhor não dizer nada, buscar sempre a conciliação, não expressar o que passa por dentro de nós, pois assim, estaremos em paz com os outros e conosco. Vamos combinar que, ao fazer isso, não alcançamos uma paz verdadeira, não estabelecemos uma conciliação real. Estamos nos enganando! Até podemos acreditar por um tempo que tudo está bem, mas ao silenciarmos nossa voz, externa e interna, estamos gestando sofrimento, alimentando-o dia a dia.

A busca implacável pela harmonia representa a necessidade obsessiva de aceitação a um custo altíssimo. Para evitar a rejeição esconde-se o que realmente pensa e sente. Criam-se relações baseadas na hipocrisia e falsidade. Quanto mais se força a ser quem não é mais se aproxima da dor, do isolamento, da tristeza, das dificuldades de relacionamento. E o pior, diminui assustadoramente a autoestima.

Por mais que se tente evitar a dor provocada pelo rompimento da harmonia ela pode ser transformadora. Permite rever as relações e a própria forma de se relacionar. Coloca em xeque crenças negativas sobre si mesmo, arrancando as máscaras autoimpostas. Liberta o ser interior para mostrar-se em toda sua beleza e integridade. É o princípio de uma nova  fase de autoconhecimento e amor a si próprio.

Carta do dia 16 de julho de 2014

7 de Copas

7 de Copas

por Magda Kumara

Sair do sonho para ser feliz na realidade!

Se ontem o Tarô nos alertava para dar atenção às necessidades de nosso ser interior, hoje ele vem reforçar a importância disso.

Os sonhos tendem a ser melhor do que a realidade. Neles, nossa vida tem outra cor, a alegria predomina, há sucesso, realização e aquela áurea de felicidade e bem-estar. Ah, os sonhos! Eles são tão maravilhosos que sair deles e enfrentar a vida prática pode ser muito doloroso.

Quanto mais nossa vida está distante daquilo que idealizamos, mais difícil é abandonar o mundo onírico e as fantasias. Transformar sonhos em realidade dá trabalho, exige esforço e dedicação; obriga-nos a testar nossa capacidade e potencial. Em outros termos, nos força a colocar a cara para bater! E como sonho e realidade são coisas muito distintas, temos muitas vezes que readequar nossos sonhos, aceitar a imperfeição e abrir mão da utopia.

Não é tarefa fácil. Confrontar os sonhos pode resultar em frustração e, por isso, há quem prefira continuar a sonhar a ter que viver na realidade. E, acredite, muitos fazem isso, nós fazemos muito isso.

-Estou sozinho(a) para encontrar minha alma gêmea. – Nada como um banho de loja para espantar a tristeza. – Vamos beber todas hoje!  – Meu casamento não é muito bom, mas vivo como uma rainha.

Para não encarar as dificuldades, buscamos compensações para que a vida fique mais leve e fácil de tocar. Mas, quanto mais infelizes estamos, mais precisamos de compensações. Criamos compulsões e vícios!

Aceitar e compreender aquilo que a alma clama não é fácil, realizar o que ela pede é ainda mais difícil. Mas sem isso a vida é um mero vagar, sem isso não é possível encontrar o verdadeiro caminho da felicidade.

Carta do dia 15 de julho de 2014

8 de Copas

8 de Copas

por Magda Kumara

Xô depressão!

Há momentos na vida em que o pessimismo nos pega. Pensamos que as piores coisas acontecerão, que nada dará certo. Desprezamos nossas conquistas, nossas realizações, jogamos tudo no lixo junto com nossa esperança e fé no futuro. Achamos que nossos problemas não têm solução, que nossa vida será de sofrimento e tristeza.

Ninguém está livre de dias tristes e de não conseguir ver a luz no fim do túnel. Ninguém está livre da falta de perspectivas, do sentimento de solidão e desalento. Ninguém está livre da negatividade e da depressão.

A depressão deve ser a doença mais diagnosticada nos dias atuais e todos tentam fugir dela. Se está triste, vai se distrair. Se está sozinho, vai buscar companhia. Se está sem ânimo, vai beber alguma coisa. Criam-se válvulas de escape, compensações, distrações, qualquer coisa. Mesmo assim, quando menos se espera, a depressão já se instalou.

Em vez de tentarmos driblar os primeiros sinais de depressão, deveríamos prestar atenção no que está nos deixando tristes, o que está tirando nossa alegria e disposição para a vida. Olhar para dentro de nós mesmos, identificar se estamos conduzindo nossa vida em direção ao nosso objetivo existencial ou se estamos sendo conduzidos.

A depressão é a doença de quem está no rebanho e tenta se manter nele. É a doença da autonegação, é a doença do autodesconhecimento, é a doença da autorrepressão.

A depressão é um alerta de nosso ser interno oprimido. É o clamor por atenção e validação de seus impulsos e necessidades. É o chamado para trilhar um caminho próprio. É o grito para ser quem se é e conduzir a vida como se deseja.

 

 

 

Carta do dia 14 de julho de 2014

Rainha de Copas

Rainha de Copas

por Magda Kumara

Sem perder a ternura!

Machucou? Não chore, tem que ser forte! Doeu? Logo passa, tem que ser forte! Perdeu? A vida é assim mesmo, tem que ser forte! E assim, vamos nos tornando uma fortaleza… por fora!

Quantos de nós não guardamos nossas dores, sofrimentos, angústias, fragilidades, temores trancafiados lá no fundo? Eles ficam presos, amarrados e vigiados para que não escapem inconscientemente. Enquanto estiverem assim, teremos uma vida sem excessos emocionais, sem ressacas morais, sem falar o que não deve e sem sentir o que não pode! Guardamos também nossa sensibilidade, nosso amor, nossa ternura. Emparedamos nossas emoções, isolando-as de nós mesmos. Ou melhor, achamos que estamos conseguindo isso, até o momento que elas escapam e fazem uma grande bagunça, uma enorme desordem.

Quanto mais negamos essa porção, mais desequilibrada ela se torna; quanto mais escondemos nossa emoção, mais frágeis nos tornamos.

Ao nos observarmos, sem julgamentos, sem pré-conceitos, sem achismos e teorias, começamos a nos entender melhor e a gostar mais do que somos. Começamos a nos integrar internamente e a ser menos reativos. Começamos a prestar mais atenção no que sentimos antes de tomar uma atitude. Começamos a nos sentir mais confortáveis, mais tranquilos, mais felizes com o que somos.

O florescimento emocional aumenta a sensibilidade – e, diferente do que se pensa, isso é muito bom! Passa-se a perceber o que acontece à sua volta, esteja visível ou invisível. Em vez de fragilidade, há uma enorme força, a força proveniente da ternura e do amor. Em vez de turbilhão, há a calmaria do fluxo contínuo e vibrante da emoção.

 

Carta do dia 11 de julho de 2014

4 de Espadas

4 de Espadas

por Magda Kumara

Quer respostas? Medite!

Quando nossa mente está muito agitada é necessário parar, acalmar, observar o que passa por nossa cabeça, os pensamentos que nos ocupam e preocupam. Há uma frase budista que me encanta: “Assim como água agitada não mostra os peixes ou conchas embaixo, o mesmo ocorre com a mente.” Mas, parece que não conseguimos aprender isso. Tentamos, pensamos mais um pouco, a cabeça deve dar a resposta para nossas dificuldades, deve mostrar a saída de nossos problemas!

Esquecemos que a mente também está turva pelas emoções, traumas, medos, apegos, falta de autoestima. A mente reflete valores, crenças, moral aprendida e adotada, que nos diz o que é certo, o que é errado, o que esperam de nós, o que representa caminho do sucesso e fracasso. E, entre tanta sujeira, lodo, barro, não vemos o fundo, não vemos a única e exclusiva verdade, a verdade de nosso ser interno.

Primeiro, precisamos crer nesse nosso ser interno, compreender que ele carrega aquilo que podemos chamar de nossa verdade, de nosso caminho, de nossa missão. Depois, precisamos aprender a acessá-lo para ouvir o que ele tem a nos dizer.

A meditação é o caminho para acessar nosso ser interno, nosso ser superior, nosso mestre, nosso inconsciente. A partir da meditação, as águas se acalmam e podemos ver o fundo, os pensamentos se aquietam e podemos ver a nossa irremediável verdade.

Medite, do jeito que for, da forma que for. Encontre sua maneira de meditar, sua técnica de meditar, mas medite. Medite sentado, andando, correndo, nadando, mas medite. Apenas acalmando a mente podemos vislumbrar o que realmente somos!