Carta do dia 09 de abril de 2014

15 O Diabo

XV – O Diabo

Liberdade aos instintos!

Quantas pessoas você conhece que parecem presas a uma vida que não é real? Que parecem presas a comportamentos e valores diferentes daquilo que brilha em seus olhos? Quantas pessoas você conhece que se reprimem, que deixam de fazer o que gostam, que seguem a vida como autômatos? Quantas pessoas você conhece que sufocam, dia a dia, sua vitalidade, sua energia criativa?

Talvez você tenha lembrado de muitas pessoas que conhece, talvez tenha, até mesmo, percebido que pessoas muito queridas vivem desse jeito. Na verdade, todos nós, em maior ou menor grau, vivemos assim. O mais importante é poder identificar aquilo que EU reprimo em mim para poder mudar.

Na tentativa de ser “normal”, de ser aceito e de sentir-se pertencendo a um grupo, a parcela mais instintiva é reprimida. É tão cruel essa repressão, que podemos nos tornar censores de pessoas livres, críticos e intolerantes com tudo que é diferente. O instinto reprimido corroi a alma por dentro e cria um enorme distanciamento entre o que mostramos e o que somos.

Nenhuma repressão é saudável, quanto mais daquilo que é vital. Libertar os instintos é libertar-se dos preconceitos, é respeitar e aceitar as necessidades do corpo e do espírito. Nada é errado quando está em consonância com a alma. Nada é ruim se não produz o mal.

Magda Kumara

Carta do dia 08 de abril de 2014

2 A Sacerdotisa

II – A Sacerdotisa

A verdadeira sabedoria!

O processo de autoconhecimento é contínuo, dinâmico e pode realizar-se de várias maneiras. É bastante comum o uso da razão para analisar as marcas deixadas pela vida, para entender os traumas e os nós presentes na alma.

A racionalidade e seus elementos são muito importantes para o autoconhecimento, mas não conseguem penetrar em setores mais profundos, pouco lógicos, menos concretos. Para se conhecer mais profundamente, conhecer sua parcela divina, seu ser pleno que não está no passado nem no futuro, mas neste exato momento, requer o uso de outros sentidos. A intuição e o instinto são ferramentas fundamentais para acessar nossa essência, mas, infelizmente, estão tão subordinados à razão que normalmente só ganham espaço em situações limite.

Para chegar mais perto daquilo que é mais nobre dentro de cada um de nós – e mais verdadeiro – é necessário o recolhimento, a quietude, a não ação, o não pensar. Apenas sentir, observar – sem analisar -, perceber o corpo, as vibrações. Deixar que as mensagens que o universo envia constantemente sejam recebidas, intuídas e que penetrem no ser, suave e profundamente. Não há julgamentos, não há críticas, não há reflexões, há apenas a percepção, a compreensão plena da existência, de uma existência além do aqui e agora, além da matéria. Uma existência verdadeiramente divina.

Magda Kumara

Carta do dia 7 de abril de 2014

Pajem de Copas

Pajem de Copas

Amor, amar, se amar, ser amado!

Amor! Esse amor que nos aquece, que nos acolhe, que nos conforta. Esse amor que nutrimos por homens, mulheres, crianças, animais, plantas. Esse amor que nos permite a vida. Se o amor é tudo isso, por que ele pouco aparece nas ruas, na convivência comunitária, no trânsito, no transporte público? Será que o amor deve ficar restrito ao foro íntimo?

Mas, mesmo na intimidade vemos muita coisa que não é e não há amor. Há medo de mostrar-se como é, há sedução, há estratégias para manter a relação, há teimosia, há a vontade de ser dono da verdade, há egoísmo. Demonstrações de amor muitas vezes são vistas como fraqueza, falta de autoestima. Mas não seria o amor por si próprio a maior marca da autoestima?

Há tanta confusão! Orgulho é confundido com amor próprio, vaidade é confundida com amor próprio, arrogância é confundida com amor próprio. Tudo isso pode ser qualquer coisa menos amor. Quando temos amor por nós mesmos, não precisamos provar isso para o mundo. O que sentimos nos preenche de tal forma que não há necessidade do referendo externo. Se sinto que sou uma pessoa bonita, realizada, grata pela vida não preciso declarar isso, não preciso de aplausos nem de reconhecimento.

O aprendizado do amor começa dentro de cada um de nós. Se amar não significa se achar perfeito, maravilhoso, significa reconhecer suas qualidades e também suas fraquezas; amar-se por ser tão único, amar-se por ser um aprendiz do amor!

Magda Kumara

Carta do dia 04 de abril de 2014

7 de Ouros

7 de Ouros

Tem que ser prá ontem!

Em uma época em que tudo é muito veloz, a ansiedade e a impaciência estão sempre presentes. Se começo um novo projeto, quero ver logo seus resultados. Se conheço uma pessoa interessante, quero que logo se transforme em um relacionamento sério. Se faço um curso de atualização e especialização, quero logo ter o reconhecimento com uma promoção. Tudo tem que ser rápido! Tudo tem que ser prá já! Tudo é para ontem!

E quando as coisas não acontecem na velocidade esperada? Ah, então aquele projeto não é tão bom, melhor desistir. Aquela pessoa não é tão interessante, melhor desistir. Aquele curso foi uma perda de tempo, não faço mais nada.

As pessoas que trabalham com a terra sabem que tudo que se planta tem um tempo de maturação, uns mais rápidos, outros mais demorados. Mas, nada que se planta hoje poderá ser colhido amanhã, tem que esperar, esperar e cuidar para que o fruto se desenvolva forte e saudável.

É preciso dar o tempo necessário para que as coisas aconteçam, para que os ciclos se completem, para que o retorno chegue. E, enquanto isso não acontece, deve-se cuidar, valorizar cada nova conquista, cada novo aprendizado. Não tenha pressa em ver seus esforços transformarem-se em sucesso, isso apenas gera ansiedade e frustração. Alegre-se e deleite-se com cada passo dado, afinal, o caminho também faz parte da viagem!

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117

Carta do dia 03 de abril de 2014

8 de Espadas

8 de Espadas

Abaixo a ditadura da mente!

A mente é maravilhosa! Com ela podemos compreender, analisar, aprender, refletir, observar. Mas, com ela também podemos controlar, maltratar, humilhar, agredir. Tudo depende do poder e do lugar que a mente ocupa dentro de cada um de nós.

Se a mente for investigativa, questionadora, crítica e, especialmente, aberta a todo tipo de fonte de informação, sem preconceitos nem pré-julgamentos, mais positiva será sua influência em nossa vida.

Mas, se a mente for rígida, controladora e autoritária, ela estabelecerá sua própria ditadura. Censurará toda e qualquer manifestação intuitiva, instintiva e emocional. Estabelecerá que a única verdade é a que provem dela. Banirá a espiritualidade, a consciência cósmica, a religiosidade.  Torturará toda e qualquer manifestação de sensibilidade, de fé, de divino. Essa mente manipuladora e cruel isolará e jogará nos porões sua essência primordial para garantir a ordem e ter controle sobre a vida.

Todo poder autoritário revela uma imensa insegurança, um profundo medo do desconhecido, do não planejado. Dar muito poder à mente pode ser uma forma de buscar mais segurança e firmeza, uma forma de conter os outros sentidos que não são confiáveis e não têm constância. Mas, sem eles na co-gestão de nossas vidas, criamos um profundo abismo interno.

Aproveitemos a data histórica e lutemos pelo fim da ditadura da mente! Democracia já!

Magda Kumara

T.(11) 9-8506.3117