Carta do dia 30 de abril de 2014

Rei de Ouros

 

Rei de Ouros

por Magda Kumara

O que você veio fazer neste mundo?

Você já se perguntou isso? O que você veio fazer aqui? Você faz o que veio fazer? Ou você foi construindo sua vida seguindo a correnteza?

Saber o que viemos fazer aqui, saber qual a nossa missão nessa vida nem sempre é fácil. Algumas pessoas têm essa certeza desde muito pequenas, outras vão descobrindo aos poucos e há ainda aquelas que passam boa parte da vida procurando essa resposta.

Para quem ainda não descobriu o que veio fazer aqui neste mundo de meu Deus, antes de mais nada, deve-se lembrar que nenhuma missão verdadeira nos é imposta e nem a escolhemos por ser lucrativa ou valorizada socialmente. A nossa missão de vida é aquilo que sentimos vibrar dentro de nós, que identificamos como nossa vocação, o que nos motiva, o que faríamos com e por amor se não precisássemos de dinheiro para sobreviver.

Para identificar nossa real vocação, precisamos saber mais sobre nós mesmos, precisamos nos analisar, observar muito atentamente nossas emoções, desejos e pensamentos.  Precisamos evitar os mecanismos de autossabotagem, pois eles não nos deixam ver como realmente somos, eles nos cegam e nos fazem duvidar de nossa força e poder.

Somos fruto de nosso meio, mas temos todos os requisitos para nos libertar de quaisquer amarras culturale mental que nos prendem a crenças de fracasso, de subordinação, de mérito. Não seremos felizes porque somos comportados, porque fazemos tudo que esperam de nós, porque somos submissos. Seremos felizes ao fazer aquilo que nos preenche a alma, que alegra e dá sentido às nossas vidas.

Carta do dia 29 de abril de 2014

Rainha de Paus

Rainha de Paus

por Magda Kumara

Somos o todo, não somos partes!

Há todo momento vemos – e vivenciamos – a contraposição razão-emoçãoe corpo-espírito. Estamos sempre nos cingindo, nos separando. Apesar de tantos avanços na ciência, ainda somos dominados por esta forma cartesiana de olhar o mundo e a nós mesmo: dissecando, separando em partes, pormenorizando. Focamos nos pedacinhos e perdemos a visão do todo. Não valorizamos nossa beleza geral porque ficamos preocupados com os pequenos defeitos  (e será que são mesmo defeitos?).

Se a razão está certa, a emoção está errada. Ou cuidamos do corpo,  ou cuidamos do espírito. Vivemos nos contrapondo e duvidando de nós mesmos. Quando dizemos: “li muito sobre isso, sei o que estou dizendo”, uma parte de nós acha que estamos enganados, mas se estudamos tem que estar certo. Outras vezes sentimos: “algo me diz que não devo fazer isso”, mas a razão não acredita nessas coisas, é crendice. Parte de nós acha que devemos ceder aos prazeres outra parte acha que as coisas terrenas impedirão nossa evolução espiritual.

Enquanto estivermos desconectados com o todo que nos forma, questionando o ser único que somos, míopes a todas as diferenças que nos compõem, estaremos sempre em conflito existencial.

Não somos uma versão acabada, estamos em constante construção. E nessa construção temos que ter consciência de cada tijolo que nos forma, cada elemento que compõe a argamassa, permitindo que os sentimentos, pensamentos, intuições e instintos sejam todos partes  importantes de nossos fundamentos.

Carta do dia 28 de abril de 2014

19 O Sol

XIX – O Sol

por Magda Kumara

Todos os seres nascem iluminados!

Quando pensamos em seres iluminados, nos vem à mente os grandes mestres, aqueles que dedicaram sua vida ao bem e à virtude. Eles são os enviados diretos de Deus, puros, magnânimos e elevados. Os elevamos tanto que tiramos deles sua porção humana e os distanciamos de nós, porque nós somos os pecadores!

Nós nascemos tão iluminados quanto eles. Nós nascemos tão divinos quanto eles. Nós somos enviados de Deus tanto quanto eles. Mas, levamos muito tempo na vida duvidando de nossa porção divina. Aceitamos a ideia de que nascemos pecadores e seremos sempre assim. Acreditamos em nossa pequenez e mediocridade e questionamos nossa capacidade de irradiar luz.

Além disso, somos tão duramente expostos a crenças e valores que nos distanciam de nossa essência, que massacram nossa autoestima, que criam necessidades irreais! Ficamos por demais apegados a aspectos superficiais e deixamos de lado, não priorizamos, refutamos ou retardamos o processo de expansão da consciência.

Somos sim seres de luz. Somos sim seres iluminados, mas precisamos manter essa luz acesa. Nossa luz precisa ser reconhecida e estimulada. Quando permitimos que essa mesma luz clareie espaços internos, aumenta nossa compreensão a cerca de quem somos e começamos a ver o mundo como ele realmente é e deixamos de vê-lo como uma projeção de nossos medos e expectativas.

Conhecer-se e reconhecer-se, estar conectado consigo mesmo, valorizar-se, ser e amar quem realmente é, são os ingredientes para reavivar e aumentar sua luz.

Carta do dia 24 de abril de 2014

6 de Espadas

6 de Espadas

por Magda Kumara

Desistir não é fracassar

Se ontem o Tarô nos fez refletir sobre a validade de nossos projetos, hoje ele nos remete à necessidade de desistir. Taí uma coisa um tanto difícil. Desistir em nossa cultura virou sinônimo de derrota, de fracasso. Afinal, o sucesso é resultado da persistência. Então vamos tentar mudar um pouco nossa interpretação sobre desistir.

Desistir é abrir mão de algo, mas nem tudo de que abrimos mão é necessariamente bom. Desistir de brigar, desistir da mágoa, desistir de algo que é nocivo e traz sofrimento é muito saudável e positivo. Mas, para desistir é necessária uma boa dose de coragem.

Sempre que estamos imersos em uma situação – seja porque a construímos, seja porque fomos inseridos nela – nos obrigamos a vivenciá-la, nos sentimos responsáveis e acreditamos que é possível chegar a um bom termo. Tentamos, sofremos, insistimos até o nosso limite. É preciso coragem para reconhecer que não há mais possibilidade, que não há mais para onde ir. Mesmo com o coração pesado, desistir pode ser a melhor solução.

Desistir pode representar a tomada de consciência de que as condições não são adequadas, de que a realidade é outra, de que aquilo que se acreditou está mudado ou que se enganou.

Desistir é ter equilíbrio mental e moral de que não há mais ação possível. Ao desistir, abandona-se a tensão e descortinam-se novas perspectivas. Desistir de algo que nos é ou foi importante nem sempre é alegre, mas pode ser um ato de sabedoria e fé. Afinal, fazer a travessia nem sempre é fácil, mas pode ser uma etapa de evolução.

Carta do dia 23 de abril de 2014

10 de Paus

10 de Paus

por Magda Kumara

Sonho ou pesadelo?

Todo conto de fadas termina com um casamento e um sonoro “e viveram felizes para sempre”. Crescemos e passamos a vida querendo esse final feliz, sem problemas, sem cansaços, sem questionamentos, sem dúvidas. E isso não vale só para o romance, vale também para tudo o mais que desejamos e lutamos para conquistar: emprego, carreira, casa, filhos. Depois da realização do sonho é só ser feliz para sempre.  Mas, a verdade é diferente, bem diferente…

Ser feliz depende de nossa disposição, de nossa vontade, de nossa energia, de nossa fé. Temos que ainda querer e gostar do que um dia sonhamos e desejamos. Temos que nos perguntar constantemente se aquilo que tínhamos como meta ainda faz sentido. Precisamos ser honestos e leais à nossa verdade interior.

Quantos príncipes se transformaram em sapos e vice-versa? Quantas carreiras se mostraram vazias de significado? Quantos empregos maravilhosos simplesmente não tinham nada a ver com você?

Mas somos bombardeados de dúvidas: como mudar se esse é o único caminho conhecido? E as outras pessoas envolvidas? Nada nem ninguém pode dar garantias, nada é seguro de fato. Responsabilidade não é sinônimo de anulação. O que se tem de concreto é a possibilidade de fazer da vida uma real expressão de quem se é. Gastar energia, uma enorme energia, para dar continuidade àquilo que um dia foi “o” projeto de vida, mas que hoje perdeu o sentido, provoca exaustão e depressão.

A teimosia só é saudável quando impulsiona, não quando paralisa.